Em seu segundo teste, a chicane da Curva do Café foi aprovada. Ao contrário da estreia da modificação no autódromo de Interlagos, durante o Campeonato Brasileiro de Marcas, desta vez os pilotos mostraram-se contentes com a solução. Criada com o objetivo de evitar acidentes como o que em abril matou o piloto Gustavo Sondermann, da Copa Montana (pré-Stock Car), a modificação foi inicialmente feita de maneira invertida e com uma zebra que parecia um degrau. O ridículo da situação obrigou a SPTuris, administradora do autódromo, a se apressar e fazer uma reforma que servisse à Corrida do Milhão da Stock Car, programada para o próximo domingo (7).
Após morte e trapalhada, Interlagos reforma chicane sob desconfiança
Com o objetivo de facilitar o reconhecimento do novo traçado foi realizado um treino extra nesta quinta-feira (4), que acabou liderado pelo ex-piloto de Fórmula 1, Ricardo Zonta, com 1min41s657. Em abril, sem a chicane, Ricardo Maurício conseguiu a pole da primeira corrida da Stock em São Paulo no ano com 1min38s806 - os competidores acreditam a diferença de cerca de três segundos por volta deve-se manter durante todo o final de semana.
Três vezes campeão da Stock Car, Cacá Bueno considerou a nova chicane "até gostosa de fazer". De acordo com ele, as obras em Interlagos eram imprencindíveis:
- O problema do Café não era a curva em si, mas o escape perigoso, que jogava os carros de volta na pista. Ali é um ponto de onde você vem acelerando a mais de 200 km/h sem ver o que está na frente. É aí que você "colhe" o cara que bateu. Fingir que nada aconteceu quatro meses depois e usar o Café normalmente seria besteira. Já morreu um monte de gente ali.
A introdução da chicane em Interlagos também pode trazer um outro "efeito colateral". Com uma desaceleração maior no ponto, perde-se um pouco de impulso na reta dos boxes, importante na tentativa de ultrapassagem no melhor ponto de Interlagos para isso, o S do Senna. Mas, ao menos no caso da Stock, essa diferença será compensada pelo "push-to-pass", um botão que aumenta a potência do motor durante alguns segundos.
A mudança em Interlagos não afetará a F-1, uma vez que os dirigentes não consideram o ponto tão perigoso para os carros da categoria. Mas Cacá lembra de um acidente em 2003, similar ao ocorrido com Sondermann, a fim de alertar para a necessidade da alteração para todos os tipos de corrida:
- A própria Fórmula 1 deveria exigir essa chicane, pois já houve uma batida muito série entre o (Mark) Webber e o (Fernando) Alonso lá. Eles não se machucaram, mas as imagens são bem fortes.
Atual líder da temporada da Stock Car, Thiago Camilo também compete no Brasileiro de Marcas. Justamente por isto, foi um dos primeiros a apontar a falha grotesca na primeira versão da chicane, classificando-a de "impraticável". De volta a Interlagos, o discurso mudou:
- Agora pode-se dizer que foi feita uma obra profissional. A chicane do Brasileiro de Marcas era inútil. Desta vez, houve uma consulta de alguns pilotos e, dentro do prazo que foi estipulado para fazer a obra, ela foi bem feita.
- A entrada da chicane é muito cega por ser subida, não há quase proteção na parte de fora dela... mas, pelo menos, dá para a gente utilizar da maneira que está.
Zonta, por sua vez, dá outra sugestão:
- Quando um carro está atrás do outro, a visão é pequena e você acaba não enxergando a parte interna da zebra, que está bem alta e pode danificar o carro. Era só o caso de se pintar de outra cor para enxergarmos melhor, algo que dá para fazer até domingo.
Apesar de satisfatória, a chicane é vista pelos pilotos apenas como uma solução paliativa. Irmão mais novo de Cacá, Popó Bueno resume o desejo de todos, ainda sem data para ser iniciado e, muito menos, concluído.
- Tecnicamente, essa chicane é uma curva como outra qualquer, mas eu preferia uma obra para aumentar o escape ali, que foi o que a gente pediu desde o começo. Esta é uma pista que não foi projetada para ter aquele tipo de curva naquele ponto. Não conheço um piloto que gosta de fazer chicane. Vamos continuar batalhando.